Conheci Danilo Moreno na farra. Não lembro onde, nem quando. A primeira lembrança que de fato localizo é numa sinuca da Rua Augusta, ali por 2007, com um povo do Teatro Oficina, eu com uma moça amiga dele, ele sendo cheio de vida como depois descobriria ser sempre.
Eventualmente nos encontrávamos por aí, mas nos conhecíamos pouco. Em alguma situação tive que falar com ele por facebook ou algo assim e perguntei se ele lembrava de mim, a resposta foi um “claro que lembro de você” tão doce que automaticamente passei a gostar mais dele. Nunca fomos chegados a ponto de ligar pra tomar uma cerveja (ele não bebia) ou almoçar juntos, mas os caminhos paulistanos muitas vezes nos juntavam, fui a duas festas na casa que ele morou na Bela Vista e coisas assim, e foi o suficiente para ter o cara em alta conta.
Não era uma figura comum. Era sempre o mais animado, com uma alegria sábia e velha. Já ouvi alguns amigos em comum se referindo a ele como “entidade”.
Nosso último encontro foi inesperado. Um dia eu estava na casa de um amigo, usando a ilha de edição, enquanto a equipe de um documentário a ser gravado na Virada Cultural de 2011 fazia testes para escolher os personagens. Acabei ajudando a equipe, segurando rebatedor, sei lá, e um dos candidatos a personagem chegou, de camisa velha do Brasil (e se não me engano trancinhas). Era Moreno, que em seu teste de VT falou coisas lindas sobre a cidade, os centros das cidades, os encontros. Morador da República, onde também vivo, disse com outras palavras adorar essa mistura de gente do Centro, gente tão diferente entre si, mas tão igual por ser gente. Evidentemente foi escolhido para o documentário e, para minha sorte, acabei escalado para acompanhá-lo durante umas duas horas da Virada já no início da manhã.
Fui encontrá-lo, com mais algumas pessoas, em frente ao McDonald’s da Praça da República. A cidade estva imunda, amanhecida, e eles comiam um hambúguer no canteiro central. Gravamos na Praça, onde havia uma performance com pessoas em cima de uma árvore enorme e depois não lembro mais. Não lembro de nossa despedida, não imaginava que seria definitiva. Quando voltei a ouvir seu nome, já era má notícia. E a má notícia em alguns meses virou péssima.
Acredito que uma grande figura não vai embora totalmente, permanece na diferença que fez para o mundo, permanece no que transformou as pessoas que tiveram chance de conviver com ela, ainda que pouco, como eu. Para quem o conheceu, é desnecessário comentar a beleza que Moreno nos deixa. Se eu, que nem era próximo, estou com o coração cortado, não posso imaginar a falta que fará aos grandes amigos dele. Sei que fará falta para o mundo, que se tornava um lugar mais cheio de luzes e cores em su presença.
Vá em paz, camarada! Saudade!
E minha solidariedade a todos que estão sentindo essa dor comigo.